Você sabe o que é a zona do morto? Você pode estar nela.

Existem grandes chances de você estar meramente vagando pela sua carreira e pela sua vida. Isso mesmo. Como uma alma. Você quer continuar assim? Entenda como sair da zona do morto através de… um jogo de dardos!

Em uma manhã de quinta-feira, reuni o time da Niteo para uma atividade de descontração: jogar dardos. Bom, na realidade, o jogo tinha mais significado do que aparentava. A partir dele eu introduziria pontos importantes para serem incorporados na cultura de empresa. Eu queria, principalmente, incentivar a cada um da Niteo a empurrar limitações e a expandir fronteiras. Como algo tão simples quanto um jogo de dardos poderia ir tão além? 

O jogo

Divididos em equipes de três a quatro pessoas. Os grupos precisavam fazer o máximo de pontos em quinze minutos. Por rodada, o participante jogava três dardos no alvo, podendo escolher se atiraria a 1, 2, 3, 4 ou 5 metros. A pontuação obtida, assim como a distância optada, era marcada e adicionada ao total da equipe. Não importava qual era a distância do arremesso, os pontos dependiam inteiramente de qual dos círculos do alvo se acertava.

A princípio, as equipes tinham dificuldade ao acertar. Além da falta do hábito de se jogar dardos, era comum o ímã da ponta do dardo não se fixar de maneira apropriada no alvo e acabar escorregando, deixando o participante frustrado. Mas, gradualmente, o pessoal foi pegando o jeito e as equipes comemoravam os pontos acumulados. O clima da sala foi ficando mais e mais descontraído. Ao final do tempo, parecia que o jogo havia sido divertido para todos.

O resultado

O objetivo de os pontos serem contabilizados não era em prol da competição. Não houve um ganhador, nem um perdedor. Era um mero parâmetro para ver o desempenho de cada um ao longo do jogo. Por quê? Para discutir essa decisão, vou voltar um pouco no tempo.

No final do século XIX, pesquisadores da Universidade de Indiana investigaram o que tornava um telegrafista excelente. Todos os novos telegrafistas passavam pelo mesmo processo: quanto mais os iniciantes praticavam, mais rápidos eles se tornavam. Entretanto, após um período x, 75% dos telegrafistas estagnavam em um determinado nível de habilidade e apenas 25% se tornavam, de fato, excelentes. Ou seja, a pontuação dos dardos era para traçar um paralelo com o caso dos telegrafistas, contudo, não para distinguir e segregar os participantes do jogo. O que a pontuação de fato significava?

A zona do morto

Após o encerramento dos quinze minutos, com as pontuações devidamente somadas, o time da Niteo sentou-se para o encerramento da atividade. Pois bem, me encaminhei para frente da sala, desenhei o gráfico abaixo (Figura 1) e expliquei:

Figura 1

No início, ninguém sabia jogar os dardos. Então, foram todos aprendendo até que cada um chegou a um patamar confortável para si e ali ficou. Essa zona de conforto atingida é a que eu chamo de zona do morto. Porque um morto não avança ou regride, ele está morto e assim ficará, não precisa fazer mais nada, não tem novos objetivos e, menos ainda, motivação para sair de seu estado. Entretanto, tanto eu que escrevo este artigo quanto você que o lê, estamos vivos. Não podemos ficar na zona do morto. Então, como sair da zona do morto?

Etapas da aprendizagem

Figura 2

A diferença entre a prática da atividade do momento 1 para o 2 e entre os momentos 2 e 4 é que, na primeira parte, há o aprendizado árduo (Figura 2). Isso significa que o desenvolvimento da habilidade não depende primariamente do tempo e sim da qualidade do tempo investido na prática. O aprendizado árduo exige atenção e é ele que de fato leva ao desenvolvimento.

No caminho para a sala de reunião na qual haveria o jogo de dardos, o time da Niteo estava inconscientemente não qualificado ao não perceber que não tinha a habilidade requerida para conseguir atirar dardos no alvo. Depois, quando começaram a jogar, todos os participantes notaram seu estado e se tornaram conscientemente não qualificados. Portanto, agora eles sabiam que precisariam desenvolver sua capacidade de acertar o alvo. É só então que eles passaram a realizar o aprendizado árduo e melhorar sua habilidade. Assim se tornaram qualificados de maneira consciente.

Por se estar em um nível bom, há certa acomodação. A zona do morto é estabelecida, tornando a qualificação inconsciente, e a atividade desempenhada passa a se tornar mero hábito. Sendo assim, o que se entende é que, quando o indivíduo está consciente de seu estágio, ele é capaz de se desenvolver (momento 4 na Figura 3), pois está disposto a aprender.

Figura 3

Logo, o grande objetivo do nosso jogo de dardos era motivar o time a sair da zona do morto e continuar se desenvolvendo. E isso não é só importante dentro de uma empresa. Essa é uma lição que podemos tomar para qualquer aspecto de nossas vidas. Porém, compreendo que pode ser um processo estressante, o que nos leva a pensar que não basta estar consciente de nosso estágio, também precisamos ser realistas quanto aos nossos objetivos, ter agilidade mental. Esse é o tópico que pretendo abordar em meu próximo artigo. Te vejo por lá!

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