Simplificando o Business Analytics

Os gráficos parecem complexos e assustadores no mundo do Business Analytics (B.A.), porém, com um pouco de prática e paciência, o B.A. pode mudar e otimizar a performance da sua empresa. Mas como dar o primeiro passo se você nunca fez isso? Podemos te ajudar.

No artigo “O que é ciência de dados? Será que é para mim?” buscamos estimular você para que não veja a ciência de dados como algo de responsabilidade específica da área de T.I., e que ela, conectada a estratégias corporativas, pode trazer grandes benefícios. Tendo já tratado então de Business Intelligence (B.I.) no outro texto, agora queremos desmistificar o mundo do B.A.

Do B.I. ao B.A.

Com o surgimento de B.I. na empresa, é saudável que também se inicie um processo constante de avaliação, debate e ações baseado nas informações expostas dos painéis, métricas, relatórios e metas. Naturalmente, vemos o início da mistura de alguns termos, como o de B.I. e B.A. Sendo assim, de forma bastante resumida, vamos diferenciá-los: uma solução de B.I. parte de uma estratégia, com objetivos, indicadores e metas. As metas direcionam o acompanhamento contínuo dos dados e das visualizações, sempre analisando o passado; já o B.A. está relacionado com a rotina de avaliação e busca novos olhares.

Neste processo de amadurecimento, o objetivo é focar o comportamento das ações da empresa e o futuro dela, portanto, novas técnicas de análise são necessárias, pois as dúvidas não são mais simplesmente do tipo “O que mostrar?”, “Como obter os dados?” ou “Como mostrar esta informação?”, elas costumam evoluir para questões como “Quais os motivos?”, “Como podemos evitar?” e “Como podemos melhorar?”. Ou seja, tenta-se encontrar as causas e não se centrar nas consequências. Para tal, é necessário que haja um desenvolvimento profissional na equipe, para que seus membros consigam exercer práticas analíticas e continuar evoluindo suas análises.

Nesse artigo queremos mostrar algumas análises que são consideradas simples, mas muito úteis para esse novo momento na sua empresa. Tratar sobre gráficos é tratar sobre B.A. e, com isso, otimizar sua organização.

O poder dos histogramas e dos box-plots

Histogramas e box-plots são dois tipos de gráficos que não são populares pela falta do perfil/de cultura analítica nas empresas ou, às vezes, há um receio pelo “gráfico ser complexo demais para ser apresentado”. É verdade que, em toda análise e todo elemento, seja numérico ou gráfico, deve sempre se levar em consideração o público, entretanto, uma vez que devidamente explicados e a empresa adote o costume de utilizá-los, esses tipos de gráficos são muito benéficos e podem gerar outros insights que gráficos mais simples não conseguem devido à dimensão e profundidade da informação passada.

Apesar de “assustadores”, esses gráficos são fáceis de explicar e, quando usados constantemente na equipe em reuniões de avaliações e de verificação de hipóteses, tornam-se elementos simples e estimulam ricas discussões, além da contribuição no desenvolvimento analítico de todos os profissionais envolvidos, independente do papel que desempenham.

O histograma

Imagine uma questão em que se deseja entender o comportamento do volume de vendas semanais. Podemos iniciar com um gráfico de linhas ou de área, visualizando por semanas o total financeiro das vendas. Agora veja esses mesmos dados em um histograma (gráfico 1, abaixo). O que é possível visualizar?

Gráfico 1 – exemplo de histograma

Primeiro, aprendendo sobre a leitura deste gráfico, notamos que a última barra está posicionada em US$ 6,4 milhões (no eixo Vendas) e no 2 (no eixo Semanas), sendo que no eixo de vendas temos barras agrupando valores a cada US$ 200 mil conforme descrito. Isto indica que no período avaliado, temos 2 semanas que atingiram volume de vendas de US$ 6,4 milhões a US$ 6,6 milhões.

O objetivo maior desse gráfico nesse cenário é que você possa visualizar o comportamento das vendas semanais, nas quais elas estão distribuídas por faixas de valores, e assim podemos enxergar 3 comportamentos:

  • Note que são raras as semanas em que há vendas acima de US$ 4 milhões, logo, estabelecer metas semanais nessa faixa não obedecerá ao natural realizado pela empresa, a não ser para semanas específicas;
  • Note que temos duas corcundas no gráfico, ou seja, mais dois comportamentos: existe um grupo de semanas que vende entre US$ 1 milhão a $1.8 milhão, e outro grupo que vendem de $2 milhões a $3 milhões.

O box-plot

Outra forma de visualizar este tipo de comportamento está no box-plot. Ele apresenta uma caixa que considera 50% dos dados do meio, ou seja, não fazem parte da caixa 25% dos dados menores e 25% dos dados maiores. No exemplo a seguir (gráfico 2), considerando os mesmos dados do histograma, visualizamos que 50% das semanas venderam entre $1,4 milhão e $2,5 milhões, desconsiderando 25% das semanas que venderam abaixo disso, e 25% que venderam acima.

Gráfico 2 – exemplo de box-plot

Os pontinhos neste gráfico trazem também a leitura de outliers, ou seja, dados fora do normal, indicando semanas que venderam muito além da média e que não foram comportamentos considerados comuns.

Nesse caso fizemos a análise para um período completo que considera diversos anos, mas podemos visualizar (gráfico 3) esse mesmo modelo ano a ano, para diagnosticar se o comportamento com o passar dos anos tem se mantido, teve crescimento ou redução.

Gráfico 3 – exemplo 2 de box-plot

Gráfico de dispersão: por quê ele raramente aparece?

O gráfico de dispersão é outro forte aliado na análise de comportamentos e grupos. Através dele, é possível observar tendências e diferenciação de grupos. No caso a seguir, foi considerado o volume de pedidos por dia em relação ao número de produtos distintos destacados por continente. Este é um elemento que usamos inclusive em nosso treinamento de Power BI. O que você consegue concluir do gráfico abaixo?

Gráfico 4 – exemplo de gráfico de dispersão

Podemos notar os seguintes:

  • Em todos os continentes nota-se quando vendendo até 40 pedidos que se mantem um volume de 40 produtos distintos por dia, ou seja, uma relação de 1 pedido/1 produto
  • Em todos os continentes há um comportamento, em que o aumento no volume de pedidos também reflete no aumento de produtos distintos, ou seja, quanto maior a quantidade de pedidos, maior a diversidade de produtos dentro de cada pedido.
  • Notamos também algo interessante na Europa e no Pacífico, onde ocorrem dias nos quais vende-se mais produtos com menos pedidos, mas tal movimento não ocorre tão fortemente na América do Norte.

Essa análise poderia ser estendida para visualizar o comportamento das suas unidades, lojas, dos seus fornecedores ou seus tipos de produtos, usando também outras métricas nos eixos.

Retornos: o que isso tem a ver com a bolsa de valores?

Em finanças, é muito comum falar sobre os retornos. Um retorno nada mais é do que a variação percentual em relação a dois períodos. Nos noticiários, ouvimos/vemos frases como: “ontem, a bolsa caiu 2%” e “hoje, a bolsa teve um aumento de 1%”.

Também podemos ter este tipo de olhar para nossos números, pois é possível contabilizar suas vendas por determinado período, calcular a variação percentual entre dois momentos e colocar isso em um gráfico de linhas para observar a diferença. Vamos simular o processo olhando para um ativo da bolsa de valores, neste caso a LREN3 – Lojas Renner.

No caso a seguir, um gráfico de área demonstrando o preço das ações das Lojas Renner dia-a-dia, o que é facilmente encontrado em soluções de B.I. e nos sites sobre investimentos, para apresentar análises baseadas no tempo. O que nem sempre visualizamos são destaques para os valores médios, medianas e, neste caso, as linhas tracejadas que demarcam em qual faixa o preço das ações se manteve em 95% dos dias, usando linhas de percentis de 2,5% e 97,5%.

Gráfico 5 – demonstração do preço das ações das Lojas Renner diariamente, desde o começo de 2018

A seguir, aplicamos a técnica dos retornos para poder avaliar o quanto os preços variam dia após dia. Note que o gráfico fica bem diferente, resultando no que chamamos de “comportamento estacionário”, afinal, no caso de ações o sobe e desce é constante e oscila em torno de uma média, e notamos que em março de 2020 tivemos maiores oscilações, o que deve ter causado alegrias e arrepios em quem investe neste ativo. Além do visual, incrementamos também uma linha demarcando o percentil 5%, e com isso pode-se enxergar um limite indicando quais valores podem ser considerados como queda brusca.

Gráfico 6 – demonstração da técnica dos retornos

Você pode utilizar essa técnica em muitos casos, não apenas para entender o comportamento de seus preços, mas também do ticket-médio de um determinado produto ou cesta de produtos, do volume de suas vendas, na adesão e recorrência de um produto digital e muitas outras variáveis de interesse.

Sobre analytics

Técnicas e ferramentas não faltam para que você possa evoluir em analytics, e nós, da Niteo, esperamos que você possa testar algumas destas práticas e estamos à disposição para poder contribuir nas suas necessidades. Não só podemos te ajudar com a capacitação do seu time nesse setor, mas também podemos auxiliar na transição do B.I. para o B.A. dentro da sua empresa e até apresentar toda a parte de B.A. Para começar a implementar o Business Analytics agora em sua empresa e otimizá-la, é só nos mandar uma mensagem!

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