Da caverna à cidade: os hormônios de um líder.

Bilhões de anos antes do ser humano sequer imaginar que os hormônios existiam, eles já estavam ditando estruturas sociais. Mesmo nos “homens das cavernas”, eram essas substâncias que agiam e justificavam posições de liderança. Isso significa que, apesar das funções terem mudado e da caverna ter se tornado uma cidade, os líderes atuais ainda funcionam a partir dos mesmos hormônios. É isso que explica o livro “Líderes se servem por último” de Simon Sinek, contudo, antes de chegar na parte da biologia, é importante que você entenda sobre “cultura de empresa” e como ela é fundamental. Vamos lá?

Cultura: o seu objetivo.

Está liderando? Seu papel é estabelecer uma cultura! Se você lidera um grupo de pessoas ou é o gestor de uma empresa, precisa desenvolver sua liderança. E para liderar de forma eficiente, a coisa mais importante que você precisa fazer é definir com clareza a cultura e os valores da sua organização.

A cultura é o sistema operacional através do qual as decisões são tomadas nos grupos e nas empresas. Ela também é essencial para recrutar e reter novos membros no time, por isso ela deve ser a maior preocupação do líder. Entender quais são os hormônios que direcionam a cabeça de um líder dão um melhor esclarecimento sobre como estabelecer essa cultura da melhor maneira e como lidar com a situação em que você se encontra.

Sua biologia pede que você lidere ou seja liderado.

A biologia dos seres humanos evoluiu ao longo de milhares de anos para ajudar sua sobrevivência. Desde os seus ancestrais, os hormônios controlam suas emoções e seu comportamento. Dentre as dezenas que existem, são 4 principais que você precisa entender agora:

  • Endorfina: o hormônio que mascara a dor;
  • Dopamina: o hormônio que nos ajudar a realizar coisas;
  • Serotonina: o hormônio da liderança;
  • Oxitocina: o hormônio do amor.

Os comportamentos impulsionados por hormônios criaram a hierarquia social. No exemplo do homem pré-histórico, os indivíduos que traziam mais comida para suas tribos assumiam as posições de liderança no grupo. Por outro lado, os indivíduos fracos, os piores caçadores, ficavam relegados a papéis sem destaque no grupo. Se hormônios como a endorfina e a dopamina desenvolveram os indivíduos mais aptos a liderar, hormônios como a oxitocina e a serotonina são mais presentes nas demais pessoas. Estas pessoas tendem naturalmente a possuir um maior sentimento de respeito, admiração e devoção aos líderes. Juntos, os quatro moldam os comportamentos do ser humano. Logo, a primeira dupla te ajuda a realizar coisas e a segunda te auxilia a se relacionar e melhor colaborar com outros.

Endorfina e dopamina.

Estes dois hormônios são os que trazem progressos e ajudam a realizar coisas. A dopamina te recompensa com uma intensa satisfação ao completar cada uma de suas tarefas. Você fica feliz quando zera sua caixa de entrada? Quando completa uma corrida? Sim, é a dopamina fazendo efeito. E sabe quando você termina um exercício se sentindo bem e no dia seguinte todo o corpo dói? Ele não doeu na hora devido à endorfina liberada, que aumentou sua performance. A endorfina surgiu para ajudar o homem pré-histórico a caçar, mesmo cansado, e, assim, conseguir trazer alimento para sua tribo. Esse mesmo hormônio faz com que você consiga ir muito mais longe nos esportes do que você imaginou que seria capaz.

Fantástico, não? Nem sempre. O problema é que, muitas vezes, líderes passam a operar em métodos de comando baseados no medo, um modelo antigo de gestão. Basear a motivação das pessoas em medo comprovadamente traz resultados ruins para o grupo, mas libera a dopamina no corpo do “líder ditador”. Isso faz com que ele se sinta bem à custa dos liderados. Para piorar, estes hormônios são altamente viciantes. Atenção!

Serotonina e oxitocina.

Estes são os químicos que afetam sua vida social, te ajudando a se relacionar com os outros. Também auxiliam a sentir confiança e fazer parte de um grupo. Eles fazem o grupo a trabalhar sinergicamente e com empatia. Esses benefícios precisam ser usados na proximidade com nossos liderados. Você não vai conseguir tê-los se escondendo atrás de um computador ou de planilhas. Você precisa estar lá e participar, sempre próximo das pessoas. Para colocar estes hormônios para trabalhar, você precisa motivar e estar presente o tempo todo.

Empatia, a chave da liderança.

Para liderar efetivamente, é essencial que você seja capaz de se importar com seus liderados e querer que eles estejam sempre bem. Você tem que ter um senso de responsabilidade em relação a eles. O sentimento de responsabilidade vem da empatia, da capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa. Sem empatia, há um distanciamento em relação aos liderados e é capaz de se tomar decisões que os prejudicam, especialmente se ocorre uma abstração desse relacionamento. Quando isso acontece, você passa a tomar decisões a partir de seus interesses próprios em detrimento dos de outras pessoas e prejudicá-las, machucando a cultura da organização.

Fazer parte de um grupo oferece um sentimento de segurança e a oportunidade de evolução como pessoas. Da mesma forma, sentir-se sozinho e ameaçado acaba te tornando egoísta e te faz perder sua empatia. Quanto mais distantes você está de seus liderados, mais você está propenso a desumanizar as pessoas e vê-las como engrenagens de uma máquina. O certo é sempre tratá-las como indivíduos que vivem, respiram, pensam e têm vontades e necessidades próprias, nunca deixando esta mecanização ocorrer.

Quando as pessoas sabem que seus líderes estão preocupados em protegê-las, elas podem trabalhar mais duro e concentradas, sem se preocupar com ameaças externas. Trate seus funcionários com respeito e dignidade e você verá resultados em cada dimensão da sua vida e do seu negócio.

Você está viciado?

Enquanto a dopamina esteve diretamente ligada a chances de sobrevivência no passado, hoje, ela está ligada ao desempenho que demonstramos em no ambiente de trabalho, nos recompensando quando se é mais eficiente. Se você é um líder que não aparece e mostra a cara para seu time no dia a dia e toma decisões baseadas exclusivamente no curto prazo, você pode estar viciado em dopamina. Muitas empresas, buscando melhorar sua produtividade, esquecem que o foco de longo prazo é essencial para atingir os seus objetivos. Para prevenir que você vicie nesse tipo de sensação, é preciso balancear dopamina e seus opostos. Você pode fazer isso, por exemplo, com trabalho voluntário ou tentando estar mais presentes, fisicamente, com seus colegas de trabalho. Não se esqueça também que a tecnologia pode te isolar de seus liderados.

Crie laços.

Para ser um bom líder, a coisa mais importante é conseguir criar laços com os outros. Para liderar, é preciso desenvolver uma relação de confiança com as pessoas, por isso é essencial desenvolver sua integridade. As pessoas precisam ter a certeza de que você leva em conta seus objetivos e desafios antes de tomar uma decisão. Líderes são seres humanos e não se pode esperar a perfeição, mas honestidade e proatividade na hora de abordar seus erros e assumir responsabilidade por eles são fundamentais. O sentimento de segurança é vital para que o grupo construa um relacionamento baseado em honestidade e confiança. Um líder tem, então, a oportunidade de definir um exemplo para os outros através de sua integridade. A partir do momento em que líderes conseguem a confiança de seus seguidores, devem mantê-la através da construção de laços. Seja com funcionários, clientes, colegas ou rivais, é importante que um líder mantenha conexões reais com pessoas, para que se mantenha focado e honesto no entendimento de suas necessidades.

O líder precisa servir as pessoas, sempre!

Um líder deve criar uma visão de futuro inspiradora, para convencer um grupo de pessoas a cumpri-la. Embora cada membro do grupo tenha objetivos individuais, como um todo ele se une em torno de um propósito coeso, graças à visão do líder. Porém, é importante que o líder também coloque as pessoas como sua prioridade zero. Muitos pensam que um líder existe para ser servido, mas a grande verdade é que, para liderar, é preciso servir as pessoas, ajudá-las a atingir seus objetivos, superar seus desafios e se desenvolverem. Em tempos de crise, um líder vai usar todos os seus recursos pessoais para o bem da comunidade. É por isso que líderes se servem por último.

Ou seja, entendendo o papel dos hormônios no corpo do líder, o papel da empatia e a importância do líder sempre servir sua equipe primeiro para depois se servir, você terá mais facilidade para colocar a cultura em prática. Você é o líder.

Referências bibliográficas:
SINEK, Simon. “Líderes Se Servem por Último” 1ª edição. Alta Books, 2018
Ilustrações da chamada: Inbevel13 e Macrovector

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