Além da liderança

Liderar não é uma tarefa fácil. Liderar bem a longo prazo é ainda mais difícil. No indivíduo em que recaem as responsabilidades de conduzir, também jaz o curso da empresa toda. E, caso o líder busque a condução que leva a um destino mais promissor, ele deve checar mais do que sua lista de afazeres administrativos.

Para assim fazê-lo, é preciso assimilar as diferentes nuances de se desempenhar o papel de autoridade dentro de uma organização, a liderança é mais profunda e expansiva do que a descrição do trabalho. Portanto, há uma demanda das atitudes do líder serem tão variadas quanto. Essa figura requer um posicionamento claro quanto ao indivíduo e ao coletivo.

Com o intuito de ilustrar melhor esse conceito, é possível apresentar essa ideia em quatro partes:

  • o eu;
  • o outro;
  • o nós;
  • o ambiente.

O eu

A primeira seção diz a respeito d’O eu, o líder quanto a si mesmo. E apesar de extrapolar a noção do ego, se começará tratando dele por sua importância quanto as concepções “básicas” de ser um líder.

Ego

O cargo central possuiu um padrão pré-estabelecido no imaginário das pessoas. O líder de ferro, forte e firme, que toma as decisões importantes com sua figura impenetrável. Sim, o protagonismo dentro da organização dá uma relevância óbvia a sua função, contudo essa obviedade e idealismo (errôneo) do líder podem ser prejudiciais.

 O destaque dado ao líder pode alimentar o ego. Isso acaba levando a uma liderança narcisista, que é regida pelo eu e para o eu. Não é apenas prejudicial a imagem do indivíduo dentro da companhia e fora dela, mas também danifica a própria liderança. O líder depende dos demais e é para eles que deve escolher corretamente, conforme será desenvolvido mais para frente.

Identidade pessoal

Sendo assim, para que as vaidades do ego não tomem o eu, é necessário que o líder entenda quem ele é, como ele foi formado e, a partir disso, seja autêntico. Se não existem pessoas exatamente iguais umas as outras, por que existiriam líderes idênticos?

O filósofo John Locke afirma que “o homem é uma tábula rasa”. O que isso significa? Bem, a interpretação que se dá é que o indivíduo se constrói a partir de suas experiências. O sujeito vê o mundo deste ou daquele jeito por conta do que ele viveu e, se ele lidera, precisa entender sob qual lente enxerga as diferentes situações. É deste modo que se pode conduzir a organização de maneira coerente, identificar o outro e distinguir qual é a maneira preferida de liderar.

O outro

A segunda esfera é O outro, a qual não é isolada da primeira instância. A questão trazida agora é como o eu se posta diante d’O outro. Conforme comentado anteriormente, o líder precisa de seus liderados em todas as circunstâncias.

Reconhecimento

E o reconhecimento da importância mútua dentro dessa relação líder-liderado é fundamental. O funcionário deve se sentir valorizado, só assim ele se sentirá feliz em seu trabalho. E sempre se deve lembrar que um ambiente onde o funcionário está feliz é mais produtivo.

Ademais, o líder precisa reconhecer que existem problemas pessoais que também afetam o desempenho das pessoas. O que não é equivalente a resolvê-los. É imprescindível que o líder tenha empatia com os demais. A empresa é formada de pessoas e reconhecê-las como seres humanos é indispensável.

Participação

Aliás, o reconhecimento só será possível se o líder participar ativamente da empresa e mostrar que é parte dela, assim como cada funcionário que compõe a organização. É significativo que o funcionário se sinta parte de onde trabalha, porque ele se dedica mais. A sensação de pertencimento é extremamente poderosa. Faz parte de uma liderança eficaz o esforço constante para incluir todos na tomada de decisões e no ciclo da empresa.

E é só participando e se mostrando ao alcance dos liderados que se estabelece um diálogo. É primordial que se ouça e entenda os funcionários, que haja uma comunicação eficiente. Conduzir demanda um relacionamento entre cada integrante da equipe e o condutor. Requisita-se uma determinada conexão que apenas existe se há um diálogo. Para saber como estabelecê-lo da melhor forma possível, clique aqui.

Vale acrescentar que um líder que participa é capaz de motivar os demais. Sendo que motivação é um ponto chave para a produtividade. Através de uma simples conversa, é possível inspirar alguém, instigar algo naquela pessoa e levá-la a uma mudança benéfica.

Ou seja, liderar exige escutar, provocar e transformar.

O ambiente

Antes de entrar no tópico “O nós”, vamos explorar por um momento a questão d’O ambiente, onde o eu e o outro estão inseridos. Falaremos primeiro desta parte, pois O ambiente está em constante mudança e parecem existir dois perfis de pessoa quando há uma mutação.

O primeiro é aquele que resiste a alteração e se contenta com sua zona de conforto, enquanto o segundo se metamorfoseia com cada oscilação que ocorre e gera um ambiente instável. Logo, o ideal é se posicionar em equilíbrio. Se aquele deseja ficar estagnado e este quer correr, um bom líder irá se adaptar ao ambiente e se movimentar em velocidade constante. Ficar parado não permite que haja crescimento e correr eternamente não é sustentável, não é realista.

O nós

Por fim, O nós se trata a respeito do conjunto das instâncias anteriores. O eu, o outro e o ambiente se mostram incorporados ao nós. O nós se diz a respeito da empresa em sua totalidade.

Assim como o líder teve de compreender a si e de onde veio, o mesmo deve ocorrer com a empresa. Saber a origem da organização, seu destino e sua identidade permite que a empresa também tenha um caminho traçado que não se desvirtue ou paralise. O líder é capaz de tomar atitudes quanto ao outro independente do ambiente. Dessa maneira, o que é aplicado no micro (neste caso, com o líder), pode ser aplicado ao macro, a empresa.

E é nessa questão da relação entre o micro e o macro que se dá a noção de que, se há o aprendizado, o aprimoramento em conjunto, de maneira igualmente proporcional, haverá o crescimento da empresa. Tendo em vista que cada parte da organização, com sua determinada particulariedade, desempenha sua função, é inevitável que o todo será beneficiado.

Em conclusão, os deveres de um bom líder extrapolam suas tarefas e alcançam os mais diferentes níveis da empresa. É fundamental que o eu seja trabalhado, para então alcançar positivamente o outro, apesar das mudanças do ambiente, levando ao avanço do nós. De fato, precisamos agir para além da liderança.

Referências bibliográficas:

PERACINI, Leonardo. “Além da liderança: Devaneios de uma gestão”. Livre Expressão – 2ª edição (2014).

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